Mudar a marca de uma empresa parece ser fácil devido ao fato de que, hoje, há tecnologias, meios e processos que permitem uma troca de qualquer lugar, em qualquer momento, e com uma mudança às vezes menos drástica. Em pequenas e até em médias empresas, esta decisão pela troca da identidade é feita pelo proprietário. Neste caso, modificar uma marca torna-se tão fácil quanto falar. O perigo desta atitude pode ser a descaracterização da empresa e a perda de sua identidade perante o seu público. Por outro lado, uma mudança na marca pode marcar a mudança no posicionamento de uma companhia no mercado, uma nova comunicação, além de ser a principal medida tomada por empresas que querem se tornar contemporâneas, atuais, modernas e acreditam que, neste processo, fazer uma plástica dá resultado.

 

Fazer parte de um posicionamento estratégico é um dos motivos que levam uma empresa a mudar a sua marca. Esta alteração não pode e não deve ser uma atitude tomada de forma isolada, segundo Raphael Muller, gerente de marketing da Resultado Consultoria. “A mudança tem que estar alinhada com os objetivos estratégicos da empresa”, alerta. Desta forma, ao acompanhar as tendências do mercado moderno, as empresas devem ficar de olho nas oportunidades, mudar quando for preciso, mas dentro de uma estratégia estudada de novo posicionamento.

Colaboradores como público e termômetro

 

Outra companhia que também anunciou a mudança de sua marca foi a Xerox, depois de realizar uma pesquisa com funcionários, clientes e parceiros de todas as unidades. O resultado foi apresentado no dia 7 de janeiro primeiramente a todos os funcionários da companhia. No Brasil, a transição para nova identidade deve ser concluída em um ano, contando a troca de fachadas dos prédios da empresa até a campanha publicitária, que começa no primeiro trimestre deste ano em mídia impressa e marketing direto.

O mercado brasileiro conheceu ainda a nova identidade de uma das maiores empresas do país. Com campanhas intensificadas na TV e em diversos meios, a Vale apresentou seu novo posicionamento, assim como sua nova identidade, com o nome abreviado e nas cores verde e amarelo. No processo de mudança, a principal preocupação da empresa era com a rejeição dos funcionários mais antigos e, para isto, a agência de endomarketing, HappyHouseBrasil, foi contratada para envolver os colaboradores no projeto. Cristiane Mallmann Brun, Diretora de Planejamento da agência, esteve presente em todo o processo, que começou vestindo a empresa com a nova identidade nos veículos internos com os atributos e posicionamento que a empresa deseja manter. “Uma semana antes da apresentação da nova marca, vestimos a empresa com as novas cores, para que os empregados se alinhassem ao novo sistema”, explica Cristiane.

Neste processo, a Vale trabalhou o conceito de transformação. A apresentação da nova identidade foi feita em um evento de gestores no mundo todo, com transmissão via satélite e pela Internet para o exterior. “Houve muita vibração quando entramos no ar com a primeira campanha da nova marca, simultaneamente para todos os funcionários da empresa pelo mundo”, lembra Cristiane (foto). Segundo ela, mesmo os colaboradores mais antigos entenderam que a empresa não é a mesma de alguns anos atrás e que a marca colorida transmite vida e um posicionamento de marca mundial. “Os colaboradores se sentiram inseridos no conceito e não em um momento de transformação. Todo o esforço era para evitar um rompimento com a antiga marca”, explica.

A importância dos funcionários para uma empresa é determinante para o sucesso dela, pois uma marca é construída primeiro pelo seu público interno. Com colaboradores mobilizados no projeto, acontecem melhores resultados já que ele compreende que é peça fundamental para a empresa. “Isto desperta o sentimento de pertencer a uma marca que ele construiu. Este processo de mudança bem estruturado contribui para que eles levem uma opinião positiva e se sentam valorizados e engajados”, ressalta Cristiane Mallmann.

Tradição X Modernidade

 

No mundo em que as marcas ganham importância ímpar na escolha pelos produtos, a tradição faz parte do conceito e da percepção do consumidor. Sendo assim, como fazer na hora de atualizar e modernizar uma marca com anos de história, baseados em uma única imagem corporativa? De acordo com o Gerente de Marketing da Resultado Consultoria, Raphael Muller, neste caso a empresa deve tomar extremo cuidado ao remodelar sua marca. Muller cita nomes como Leite moça, Granado e Maisena, como marcas que inspiram e comunicam a idéia de tradição que é passada de mãe para filha, de maneira familiar. “A marca Leite Moça fez mudanças pequenas em sua marca e focou na alteração da embalagem. É importante saber o que agregar de valor ao produto”, diz Raphael Muller em entrevista ao Mundo do Marketing. De acordo com o executivo, a tipologia usada pela Coca-Cola não seria aprovada hoje por ser antiga, tanto que atualmente a marca usa o desenho da garrafa que já remete à todos os produtos da marca.

Na guerra entre a tradição das marcas e o caminho das novas tecnologias e da inovação, é difícil tomar partido para um dos lados. A sorveteria A Formiga, primeira sorveteria de Curitiba, no Paraná, sofreu a revitalização de seu conceito após vinte anos de mercado. De acordo com o atual dono da empresa, Max Frischmann, o objetivo era não perder a tradição e não criar um novo conceito para a marca. “Estilizamos sem mudar o conceito com um redesenho da marca, com formas novas e semelhantes ao original”, conta Frischmann ao site.

Acesse
www.vale.com
www.xerox.com

Mundo do Marketing : Publicado em 17/1/2008

 

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